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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Laelia purpurata alba

Era dia 20 de janeiro de 2011, um dia triplamente especial, pois além de ser o aniversário do meu pai e várias pessoas da família estarem por lá comemorando, tive uma grande surpresa!

Fui no Orquidário Chácara Suíça - onde fui muito bem atendido pela Sra. Zita -, pois eles tem a orquídea Pleurothallis rubens por lá e nada melhor que um presente desses para o meu pai! Foi fato que ele se espantou com o presente, pois não está habituado a ganhar "um vaso de planta", mas tentou ao máximo se interessar por ela, e isso já foi muito gratificante!

Logo depois de entregar o belo presente ao meu pai, como de costume, lancei o olhar para o canto onde ficam minhas orquídeas, era noite, e no meio de todas elas, pude facilmente avista uma única flor aberta, grande e inteira branca, molhada da chuva! Foi espantoso, pois adquiri ela em dezembro de 2010 no Orquidário JR, a planta estava bem pequena ainda e com uma espata precoce, a qual, certamente não deveria vingar pelo fato da planta ser ainda muito jovem - segundo o Sr. José Roberto Thomal disse "a probabilidade da floração é pequena para uma muda tão jovem como esta", e de fato é -, e por isso fiquei feliz demais quando a vi!
Retirei rapidamente o vaso do tempo, e levei-o pra casa, onde ele está com a flor linda até hoje (28/jan), perfumada e incrível!

Esse é o melhor ângulo dela, na minha opinião!
Costumo girar o vaso buscando as formas,
e a elegância sempre impressiona...
A grande vantagem da orquídea estar num vaso é do dono, pois poderá levá-la para um belo cachepô, ou até mesmo ao seu lado sobre a mesa de trabalho, assim como costumo fazer! A lógica biológica da planta consiste em lançar a flor com formas, métodos e odores atraentes o suficiente para seus polinizadores naturais, normalmente as abelhas, que são atraídas pelo perfume da flor, e sob várias táticas que variam para cada planta, os insetos levam o pólem fecundando a orquídea, gerando assim a capsula de sementes! Ao levar a planta para dentro de casa, a vantagem é que com a diminuição da ação do tempo, a flor ganha em durabilidade, porém, seu ciclo natural é parcialmente interrompido!

Essa foi a primeira e inesquecível floração de Purpurata comigo! A flor possui 13cm de diâmetro, toda branca com veias bem finas e visíveis, e o miolo do labelo é amarelado! Perco as contas das vezes que pego o vaso nas mãos e cheiro ela!

Ela desenvolveu rápido demais, pois em dezembro, ainda era um *seedling, e acredito que com a ajuda da rega borrifada com Peter's e Beneroc, ela cresceu forte e rápido, aumentando as chances da espata lançar a flor saudável para fora!

Fiz uma sessão fotográfica dela, claro, e logo que a flor se vá - espero que demore -, vou retirá-la do vaso original de plástico e dar-lhe um belo vaso de barro, pois além das raízes estarem querendo sair pra fora da borda, uma orquídea dessas num vaso de plástico eu não consigo ver!
Assim que eu a envasar adequadamente, farei mais algumas fotos para acompanhar sua evolução, e vou complementando este post conforme o tempo!
Grande abraxxx _o/

*seedling:
Palavra de origem inglesa. Ao pé da letra, seed = sementes, e ling = donzela. A tradução da palavra seedling é "plântula", que significa uma "planta ainda muito nova". Especialistas chamam de seedling uma planta nova que acaba de tornar-se uma pequena muda a partir da germinação da semente! Tecnicamente, uma orquídea é um seedling até o momento que obtém a primeira floração, passando a ser adulta.
Em resumo, o significado mais simples e correto, para o Português do Brasil, é: seedling = muda.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Plantas. Seres vivos para seres humanos!

Há alguns anos, dez ou mais talvez, comecei a olhar de uma forma diferente para as plantas. Montanhista, defensor da natureza, sempre fui daquele de olhar muito bem para não pisar em algo vivo pelo chão da mata! Mas um certo dia eu quis saber o nome científico do Palmito durante um replantio que fazíamos na Serra do Mar. Uma planta tão nobre como aquela, e tão depredada irregularmente por homens sem cultura, merecia ser chamada ao menos de Euterpe edulis.
Eu era estagiário e voluntário no Marumbi, e ao redor do alojamento, haviam várias ervas, e conhecê-las era importante para não fazer o chá errado. Era época de faculdade, e meu projeto era no Parque Estadual do Marumbi.
A sim, sou formado Analista de Sistemas, acreditem!
No ultimo ano de faculdade, entrei numa empresa meio governo, meio autônoma, e lá haviam vasos feios pra todo lado, um local grande com terra lotada de tranças de Jibóia (Epipremnum pinnatum), bem judiadas, brancas de cochonilha, um ser inteligente que entende muito de plantas, um maluco que não entendia muito mas queria entender e eu com esses tipos de amigos! Hehehe!
Enfim, os vasos ficaram melhores, o grande local de terra ficou mais verde e variado, sem as pragas, a empresa ficou mais bacana e o conhecimento melhorou junto com o interesse pelas plantas!
Entre tantas ornamentais, e outras pequenas e belas aos meu olhos, tais como as Peperomia's, Violetas, várias suculentas e outras tantas espécies bonitinhas, uma espécie logo tomou seu lugar na paixão pelas plantas. Um certo dia ganhei de um amigo uma muda de uma tal Violeta Silvestre, robusta, estranha, mas bonita. Não dei muita bola, fato, mas o dia que vieram as flores, a coisa mudou totalmente! Ali estava a Siderasis fuscata, com seu aspecto de urso, controle no jogo magnífico e curioso do abre e fecha de suas flores, enfim, a planta misteriosa!
"Pensar... Treinar os olhos a enxergar o que há em volta, nos mínimos detalhes
do que é mais simples, na beleza do raro silêncio, no som da folha seca que
cai no chão... Vejo de longe o que estava perto, fico próximo do que não notava.
Busco a importância nas coisas, no limite do entendimento, e acabo achando
um pouco de muito no meu pequeno mundo de ilusão. Lacunas filosóficas que
proporcionam inspiração, seja para falar ao vento sobre esse meu tormento,
ou para uma foto que nasce diante um conturbado espasmo de solidão..."
Rubens Nemitz Jr
Desde então, encontrei o que faltava na minha vida para que eu pudesse ter alguns bons e raros momentos de paz e satisfação, afinal, as plantas precisam do cultivo do dono, e essa aprendizagem é algo excelente para elas, e vital para quem desenvolve a cultura, o respeito, o amor por seres tão vulneráveis, ameaçados pelo homem.
Numa caminhada para o Pico Paraná, ao contornar o Caratuva pela trilha da bica, passamos por um túnel de Sophronitis coccinea, floridas (julho/2007), e o deslumbre foi fantástico.
Em 2008, no incêndio que devastou o Morro do Caratuva (Serra do Ibitiraquire, Paraná), eu e o Marcio fomos voluntários por 2 dias inteiros! Lutamos contra as chamas, e tivemos momentos de extremo perigo (sim, quase não voltamos, pois o fogo nos cercou), e de tristeza, pois não conseguimos salvar dezenas de exemplares de Sophronitis Cernua, orquídea da região daquela Serra, e quase extinta na natureza. As que conseguimos, fizemos a reposição, e duas touceiras trouxemos pra casa para tentar salvar, mas elas foram muito danificadas pelo fogo, e não resistiram! Ai estava o start do interesse por orquídeas.
Um certo dia, numa ida para o Morro do Canal, numa caminhada bem boa e longa, encontramos algumas espécies de orquídeas na natureza, e em abundância, e lembro bem do manto de Maxilaria's, uma epífita dando uma de rupícola, cobrindo as pedras da encosta na Torre do Vigia!
Enfim, contatos com as plantas pra lá e pra cá, e hoje as orquídeas são uma paixão a parte, pra não dizer um vício, esse, ao menos saudável!
Com tantas coisas boas que posso falar sobre gostar de plantas, infelizmente tem uma coisa que não é nada boa, é ruim, péssima, e machuca: morar em apartamento, assim como eu, que tenho que manter meu jardim e meu orquidário na casa dos meus pais, longe do dono! Meus pais gostam, pois além de ser bonito, o filho deles mantém uma regularidade maior de visitas :o)

Esta é uma pequenina história, a qual escrevi para demonstrar o lado bom de cultivar plantas. Acredito que se ao menos todos pensássemos o tanto de benefícios que nós humanos temos por causa das plantas que existem no planeta, com certeza ao menos o respeito por elas iria aumentar, e quem sabe até mais e mais amantes e praticantes dessa cultura.